Voz das OSCs
Compliance e cultura organizacional não caminham sozinhos
29 de janeiro de 2026
Quem sente segurança para aportar seus recursos em um projeto que não transmite confiança? Confiar nas organizações vai muito além de ter políticas bem estruturadas e cumprir a legislação. Segundo Pesquisa Doação Brasil 2024 do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS), apenas 30% dos pesquisados acreditam que a maior parte das OSCs é […]Por Edel Wegbrayt, diretora vice-presidente da Sitawi Finanças do Bem | Gisele Braga, coordenadora de Compliance da Sitawi Finanças do Bem
Quem sente segurança para aportar seus recursos em um projeto que não transmite confiança? Confiar nas organizações vai muito além de ter políticas bem estruturadas e cumprir a legislação.
Segundo Pesquisa Doação Brasil 2024 do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS), apenas 30% dos pesquisados acreditam que a maior parte das OSCs é confiável, um índice em queda desde 2020 (41%), o que revela um nível de exigência maior em relação às instituições e causas apoiadas. A pesquisa ainda revela que a confiança na instituição constitui um fator determinante para a doação, sendo apontada por 81% dos participantes. Esse dado evidencia que a credibilidade organizacional e a adoção de boas práticas funcionam como alicerces fundamentais no setor.
Implementar e fortalecer boas práticas institucionais é essencial para que as organizações consigam garantir a integridade e, consequentemente, aumentar sua credibilidade perante o setor, os parceiros e os stakeholders.
Mas como tornar isso uma premissa em sua organização? Partindo do micro para o macro e chegando ao núcleo: a cultura organizacional.
Existem diversas formas de implementar o compliance em Organizações da Sociedade Civil (OSCs), seja por meio de consultorias, pela criação de uma área específica, pelo estabelecimento de processos e controles internos. Mas, para que isso seja feito com sucesso e como um meio de garantir a conformidade das organizações às normas, é essencial que essa jornada tenha a cultura interna como uma grande aliada.
Na Sitawi Finanças do Bem, a conformidade sempre foi um pilar intrínseco às nossas operações, especialmente por sermos gestores de recursos de terceiros. Desta forma, a adoção de práticas como auditorias, controles internos e externos, e a elaboração de instrumentos como Código de Ética e Conduta, Política Anticorrupção, Canal de Ética e Denúncias, sempre esteve na essência de nossa atuação, evoluindo e se fortalecendo naturalmente à medida que a organização crescia.
A virada de chave
Essa jornada se intensificou há alguns anos, com objetivos bem definidos e o reconhecimento de que a conformidade vai muito além de regras. A nossa virada de chave foi integrar toda essa estrutura de compliance na cultura interna da Sitawi.
Com o apoio e o comprometimento da Diretoria, evoluímos o trabalho de forma efetiva, permitindo que a Sitawi atingisse o ponto de maturidade que está hoje.
O primeiro passo foi a revisão e a atualização de políticas e procedimentos internos, com foco na aderência às atividades reais e à cultura da organização. Não se trata de replicar modelos genéricos, mas de desenvolver diretrizes que façam sentido dentro do contexto institucional e que refletem o dia a dia da organização.
No entanto, nenhuma política se sustenta sem a adesão das pessoas. Por isso, investimos fortemente em capacitações e treinamentos internos frequentes, abordando temas como a importância do combate à corrupção, riscos de terceiros, ética, reputação, proteção de dados e proteção da informação.
Também tornamos os temas de compliance pautas de comunicação interna, produzindo materiais como cartilhas, guias, enquetes e comunicados que trazem informações complexas traduzidas para uma linguagem simples, com analogias e metáforas que tornam comuns os temas.
Assim, vamos além de apenas transmitir conhecimento: nós promovemos uma mudança comportamental que fortalece a integridade institucional e incentiva que cada pessoa colaboradora veja o seu papel nisso.
O resultado na prática
À medida que essas ações foram se consolidando, percebemos um avanço significativo na maturidade do nosso compliance. O diálogo entre áreas se tornou mais fluido, os riscos passaram a ser gerenciados de forma mais proativa e as decisões passaram a refletir não apenas eficiência operacional, mas também responsabilidade e ética.
Além disso, passamos a olhar com mais atenção para a gestão da reputação institucional. Reforçamos, internamente, a importância da imagem da marca Sitawi Finanças do Beme o cuidado com associações e parcerias que possam gerar riscos reputacionais. Assim, todos conseguem visualizar sua contribuição direta em prol de um objetivo comum.
Todo esse movimento nos mobilizou a conquistar reconhecimentos importantes do setor, que avaliam práticas de conformidade, transparência, governança e padrões éticos, como o Selo Doar; a chancela do Pacto Brasil pela Integridade Empresarial, iniciativa da Controladoria Geral da União (CGU); e o próprio selo Bronze ESG/GRC do Engaja Brasil.
Em resumo, a maturidade em compliance não se atinge com um único projeto ou documento. Ela é construída com consistência, alinhamento estratégico e, fundamentalmente, pela sua integração à cultura organizacional, da qual passou a formar parte indissociável. Esse comprometimento coletivo é que garante resultados duradouros. Na Sitawi, seguimos avançando com esse propósito, consolidando um ambiente organizacional mais íntegro, seguro e preparado para os desafios futuros.
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