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Governança no Terceiro Setor: uma agenda urgente para proteger o setor, fortalecer a confiança e ampliar parcerias

18 de julho de 2026

Artigo publicado na revisata AgoSocial | Edição 11 | “Uma nova era do ESG e da sustentabilidade chegou!” Link da Revista: Clique Aqui Sem governança, muitas organizações sociais ficam limitadas em sua capacidade de atrair recursos, estabelecer parcerias e ampliar seu impacto social. Boas intenções não substituem boas estruturas de governança. Nos últimos anos, o […]

Por Cristiane Almeida, fundadora e CEO da Engaja Brasil


Governança no Terceiro Setor: uma agenda urgente para proteger o setor, fortalecer a confiança e ampliar parcerias

Artigo publicado na revisata AgoSocial | Edição 11 | “Uma nova era do ESG e da sustentabilidade chegou!”

Link da Revista: Clique Aqui


Sem governança, muitas organizações sociais ficam limitadas em sua capacidade de atrair recursos, estabelecer parcerias e ampliar seu impacto social.

Boas intenções não substituem boas estruturas de governança.

Nos últimos anos, o terceiro setor brasileiro tem crescido de forma significativa e assumido um papel cada vez mais relevante na solução de problemas sociais complexos. Hoje, organizações da sociedade civil estão presentes em praticamente todos os municípios do país, empregam milhões de pessoas e representam cerca de 5% do PIB brasileiro. São instituições que atuam em áreas fundamentais como educação, saúde, assistência social, cultura e desenvolvimento comunitário, muitas vezes levando soluções onde o poder público e o mercado não conseguem chegar.

Ao mesmo tempo, trata-se de um setor que opera sob condições extremamente desafiadoras. A grande maioria das organizações recebe recursos direcionados quase exclusivamente para a execução de projetos sociais, enquanto muito pouco é destinado ao desenvolvimento institucional, à gestão e ao fortalecimento de suas estruturas organizacionais. Isso cria um paradoxo: espera-se cada vez mais profissionalismo, transparência e capacidade de gestão, mas raramente se financia a estrutura necessária para que essas organizações se desenvolvam institucionalmente.

Esse cenário torna o setor mais vulnerável. Em um país que historicamente enfrenta desafios relacionados à corrupção e à fragilidade institucional, organizações que não possuem estruturas sólidas de controle e governança podem ficar expostas a diferentes tipos de riscos — desde má gestão e ineficiência no uso de recursos até tentativas de instrumentalização política ou uso indevido das organizações.

Nos últimos anos, o mundo corporativo passou por uma transformação importante nesse campo. A partir da Lei Anticorrupção e da crescente pressão por práticas de integridade, empresas passaram a implementar estruturas robustas de compliance, com códigos de ética, canais de denúncia, políticas internas, mapeamento de riscos e controles mais rigorosos. Esse movimento criou uma cultura de prevenção e proteção institucional que hoje se estende inclusive à cadeia de fornecedores e parceiros.

No entanto, quando olhamos para o terceiro setor, é legítimo perguntar: quantas organizações evoluíram nesse mesmo período na implementação de práticas estruturadas de governança, integridade e gestão de riscos?

Governança, nesse contexto, não significa burocratizar o trabalho social. Significa estabelecer processos, responsabilidades e mecanismos de controle que assegurem o uso responsável dos recursos, decisões institucionais mais estruturadas e a adequada gestão de riscos.

A governança no terceiro setor se apoia em alguns pilares fundamentais. Entre eles está a existência de conselhos atuantes e independentes, capazes de exercer supervisão estratégica e fortalecer a qualidade das decisões institucionais. Também fazem parte dessa estrutura a definição clara de papéis entre conselho e diretoria executiva, a adoção de políticas de integridade — como gestão de conflitos de interesse, diretrizes para interação com agentes públicos e regras para contratação e uso de recursos públicos — além da implementação de controles internos e gestão estruturada de riscos. A transparência também é um elemento central, materializada na prestação de contas e na comunicação clara por meio de relatórios de atividades ou sustentabilidade que evidenciem resultados, uso de recursos e práticas de prevenção à corrupção.

Um equívoco comum é imaginar que governança seja necessária apenas para grandes organizações. Na prática, ela é importante para OSCs de todos os portes. Mesmo organizações pequenas lidam com recursos, tomam decisões estratégicas e assumem responsabilidades perante beneficiários, parceiros e financiadores. Em muitos casos, essas organizações também executam projetos financiados com recursos públicos ou transferências governamentais, o que exige ainda mais responsabilidade e mecanismos de controle. Organizações menores, que frequentemente possuem estruturas administrativas mais enxutas, podem estar mais expostas a riscos institucionais se não adotarem práticas mínimas de governança. Estruturar boas práticas desde o início contribui para reduzir vulnerabilidades, aumentar a transparência e fortalecer a sustentabilidade institucional.

Outro ponto importante é que a governança cria as bases para que as organizações evoluam na demonstração de resultados e impacto social. A mensuração de impacto ainda é um desafio para muitas OSCs, pois exige métodos estruturados de coleta e análise de dados, além de processos organizacionais bem definidos. Nesse sentido, a governança desempenha um papel fundamental ao estruturar indicadores, fluxos de informação e processos internos que permitem às organizações avançar gradualmente da execução de projetos para a demonstração consistente de resultados e impacto.

Nesse contexto, iniciativas voltadas ao fortalecimento institucional do terceiro setor tornam-se cada vez mais relevantes. A Engaja Brasil surgiu justamente com a missão de apoiar organizações sociais no desenvolvimento de práticas de governança, gestão de riscos e transparência. Por meio de uma plataforma que integra processos de due diligence, diagnóstico ESG/GRC e trilhas de aprimoramento institucional, a iniciativa busca ajudar as OSCs a evoluírem continuamente em suas práticas de gestão e governança, contribuindo para a construção de um ambiente mais seguro e confiável para parcerias com empresas e investidores sociais.

Fortalecer a governança no terceiro setor significa proteger a integridade das organizações, preservar a confiança da sociedade e garantir que os recursos destinados a causas sociais gerem o resultado social esperado. Em um contexto de crescente demanda por transparência e responsabilidade institucional, investir em governança deixou de ser uma escolha e passou a ser uma necessidade estratégica para o futuro do terceiro setor.


Sobre a Engaja Brasil:

É nesse contexto que surge a Engaja Brasil, com o propósito de promover a governança no terceiro setor, gerar confiança e impulsionar o investimento social para transformar vidas e comunidades, contribuindo para a construção de um futuro melhor para todos.

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Cristiane Almeida é fundadora e CEO da Engaja Brasil, plataforma que fortalece a governança de organizações da sociedade civil e as conecta a investidores sociais que buscam maior segurança e redução de riscos reputacionais. Executiva com mais de 30 anos de experiência em finanças, controladoria e governança, iniciou sua carreira na KPMG e atuou em posições de liderança em empresas nacionais e multinacionais. É conselheira e palestrante em governança e ESG.