Voz das OSCs

Da seleção de projetos ao impacto social: os bastidores do McDia Feliz

21 de agosto de 2026

Quando falamos sobre o McDia Feliz, a imagem que costuma vir à mente é a de milhares de pessoas comprando um Big Mac para apoiar uma causa. Mas existe uma pergunta que considero ainda mais importante: o que acontece depois que a campanha termina? Como os recursos arrecadados chegam até quem realmente precisa? A resposta […]

Por Danielle Basto, Gerente da área de Operações & Impacto Social da Casa Ronald McDonald Brasil


Da seleção de projetos ao impacto social: os bastidores do McDia Feliz

Quando falamos sobre o McDia Feliz, a imagem que costuma vir à mente é a de milhares de pessoas comprando um Big Mac para apoiar uma causa. Mas existe uma pergunta que considero ainda mais importante: o que acontece depois que a campanha termina?

Como os recursos arrecadados chegam até quem realmente precisa?

A resposta passa por um trabalho que acontece longe dos holofotes, mas que é essencial para transformar a solidariedade em impacto social.

Antes mesmo da abertura do Edital de Projetos, iniciamos um processo de atualização cadastral das instituições parceiras. Mais do que reunir documentos, essa etapa nos permite compreender a realidade de cada organização, verificar sua conformidade, conhecer as necessidades da região e identificar onde os recursos poderão gerar maior impacto.

Também ouvimos as famílias,  hospitais e instituições por meio de pesquisas e levantamentos que ajudam a mapear os desafios enfrentados por crianças e adolescentes em tratamento e suas famílias. Afinal, investir bem começa por entender as necessidades reais.

Com esse panorama, abrimos o Edital de Projetos.

Todos os anos, instituições parceiras apresentam propostas que passam por uma análise criteriosa. Avaliamos se elas estão alinhadas à missão da Casa Ronald McDonald Brasil, se atendem às prioridades da jornada das famílias e se possuem viabilidade técnica, financeira e operacional.

Esse processo envolve diferentes olhares. Nossa equipe técnica realiza a primeira avaliação, seguida por comissões compostas por assistentes sociais e médicos oncologistas pediátricos. Depois, as propostas seguem para análise estratégica dos Comitês e do Conselho Gestor.

Pode parecer um caminho longo, mas existe um motivo para isso: queremos garantir que cada recurso arrecadado seja aplicado com eficiência e impacto.

Mais do que financiar projetos, buscamos investir em soluções capazes de produzir impacto mensurável e sustentável. Para isso, adotamos um modelo de governança que combina critérios técnicos, evidências, acompanhamento contínuo e transparência na aplicação dos recursos. É essa estrutura que assegura que cada investimento contribua efetivamente para ampliar o acesso ao cuidado e fortalecer a jornada de tratamento de crianças e adolescentes.

Nossa atuação prioriza os principais hospitais brasileiros especializados em oncologia e outras doenças pediátricas de alta complexidade, que atendem, majoritariamente, pacientes pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Essa escolha reflete a essência da Casa Ronald McDonald Brasil: fortalecer a rede pública de saúde, garantindo às famílias em situação de maior vulnerabilidade social os serviços essenciais para que crianças e adolescentes possam permanecer em tratamento. Afinal, o acesso ao atendimento médico é apenas uma parte da jornada. Muitas famílias precisam deixar suas cidades, interromper o trabalho e enfrentar despesas com transporte, hospedagem, alimentação e outros custos que podem comprometer a continuidade do tratamento. Nosso papel é justamente reduzir essas barreiras, oferecendo o suporte necessário para que nenhuma criança deixe de receber o cuidado de que precisa por falta de condições socioeconômicas.

Os projetos apoiados fortalecem diferentes frentes. Alguns ajudam anualmente famílias com alimentação, transporte e permanência durante o tratamento. Outros viabilizam a compra de equipamentos hospitalares, exames, melhorias em ambientes de atendimento e ações de humanização. Também apoiamos iniciativas de Diagnóstico Precoce do Câncer Infantojuvenil, capacitando profissionais da saúde e da educação para reconhecer sinais da doença e ampliar as chances de um diagnóstico precoce.

Mas aprovar um projeto é apenas o começo.

Durante toda a execução, acompanhamos indicadores, recebemos prestações de contas, realizamos auditorias e visitas técnicas. Mais do que acompanhar números, buscamos entender como aquele investimento está melhorando a experiência das famílias e contribuindo para uma jornada de cuidado mais digna.

E os resultados mostram que esse trabalho faz diferença.

Os resultados mostram que esse modelo gera impacto. Em 2025, as iniciativas apoiadas pela Casa Ronald McDonald Brasil beneficiaram mais de 33 mil famílias em todo o país, oferecendo acolhimento, suporte social e condições para que crianças e adolescentes pudessem manter seus tratamentos de saúde

No último ciclo, o Programa Atenção Integral apoiou 55 projetos, beneficiando mais de 22 mil crianças e adolescentes. Foram adquiridos 168 equipamentos hospitalares, distribuídas mais de 5 mil cestas de alimentos e 13 mil suplementos nutricionais, além do apoio ao transporte para famílias que precisam percorrer longas distâncias em busca de tratamento.

Já o Programa Diagnóstico Precoce apoiou 23 projetos, capacitou 7.846 profissionais e alcançou 77 municípios brasileiros, fortalecendo a identificação precoce da doença.

Nas 11 unidades dos Espaços da Família Ronald McDonald, somente em 2025, foram realizados mais de 77 mil atendimentos. E os próprios usuários demonstram esse impacto: 95% afirmam que o espaço torna a permanência no hospital mais acolhedora, enquanto 91% percebem redução da ansiedade dos pacientes.

Nas seis unidades do Programa Casa Ronald McDonald, os resultados também evidenciam a importância do acolhimento para a continuidade do tratamento. Em 2025, 1.201 crianças e adolescentes foram beneficiados diretamente, com mais de 104 mil hospedagens, 483 mil refeições e 16 mil viagens de ida e volta aos hospitais. Com taxa média de ocupação de 81% e permanência média de 49 dias, o Programa possibilitou que famílias de diferentes regiões permanecessem próximas de seus filhos durante o tratamento. Esse impacto é ainda mais significativo quando consideramos que 73,1% das famílias atendidas vivem com renda de até um salário mínimo. A qualidade do acolhimento também se reflete na percepção das famílias: 98,3% afirmam que indicariam a Casa Ronald McDonald para outras famílias e 92% relatam sentir-se acolhidas pelos colaboradores.

Esses números são importantes, mas contam apenas parte da história.

Por trás de cada indicador existe uma família que conseguiu permanecer unida durante o tratamento, uma criança atendida por um equipamento adquirido com recursos da campanha ou um profissional que passou a identificar sinais da doença mais cedo.

É por isso que acredito que impacto social não se mede apenas pelos recursos arrecadados, mas pela capacidade de transformar esses recursos em cuidado, acolhimento e oportunidades reais para quem mais precisa.

Quando alguém compra um tíquete do McDia Feliz, está fazendo muito mais do que participar de uma campanha. Está ajudando a construir uma rede de apoio que conecta pessoas, instituições e profissionais em torno de um mesmo propósito: garantir que nenhuma família enfrente sozinha a jornada do tratamento de uma criança ou adolescente.

Esse é o trabalho que acontece nos bastidores. E é ele que transforma um gesto de solidariedade em impacto real.